O ontem não passou de um sonho, uma metáfora hiperbolizada de uma acção repentina, onde os pólos se desencontram, a boca diz aquilo que não quer… a verdade, mas aquilo que não quer, e no fim, se é que se pode chamar fim, os números desaparecem das listas telefónicas.
O regresso é quase instantâneo, onde o coração bate tresloucado como se fosse sair pela boca, ao mesmo tempo que pensamos que tudo não passou de um sonho.
O rapaz chora enquanto conduz o seu carro até casa. Chora por pensar na vida, nos sentimentos e em tudo o que nos é capaz de causar. Chora pois sabe que fez o melhor, o que deveria ter sido feito.
A vida é uma mudança, uma incógnita para a qual nunca estamos preparados.
Passeios no parque, caminhadas, trocas de afecto… o rapaz tenta, por mais que lhe doa, tenta. Aquela sensação satisfatória um tanto quanto masoquista que se desenvolve por acreditar que aquela seja um amor impossível.
O tempo passa, é assim, nem tudo é o que parece, ninguém é como deveria de ser… eu não sou.
A inconsciência regozija o meu espírito ou parte dele. O resto já não se contenta tanto com aquilo que se está a passar. A confusão dos corpos, da alma, dos beijos e carícias… o desejo acima de tudo, tudo para além do inexplicável, para mim.
É difícil compreender eu sei, e sinto por isto… ao mesmo tempo o rapaz pensa. Pensa em tudo o que aconteceu e acontece, todas as suas expectativas, toda a sua espera. Uma música para ajudar quem sabe. Uma música que lhe diga tudo, que se mostre como um verdadeiro ser, nu, exposto para o mundo, como veio ao mundo. Pois nós, todos nós, somos dele e a ele pertencemos.
Ideias desorganizadas numa folha de papel, isto é o que elas são, nada mais. As mesmas ideias desorganizadas na minha cabeça, desgarradas, soltas, a procura de se encontrarem de modo a tornar o mais confuso dos raciocínios algo lógico.
Perdido? Deves estar assim como eu estou…
Aquela viagem de carro tornou-se algo estranho, silencioso e melancólico. Inexplicável sensação que habitava a presença daqueles dois seres. Algo tão bipolar como a esquizofrenia. Inconstante. O por quê não se sabe, ou não poderia saber. Já não gostava de se sentir culpado, mas o sentimento tornava-se cada vez maior. Infelizmente era assim…
O rapaz, quem sabe se continua a chorar enquanto conduz o seu carro até casa… eu não sei. A única coisa que sei é que não vale a pena derramar uma única lágrima por quem ele derramou, pois essa pessoa não sabe sentir, não sabe sequer quem é… tenta, mas nada acontece.
Não são as últimas palavras ainda, mas os olhos brilham e as lágrimas correm pelo rosto… opções, guardar.

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