terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Parte I - Castanho Caramelizado

Momentos inesquecíveis que passei… tardes de sol que jamais esquecerei…
O brilho dos teus olhos reflectiam algo um tanto quanto impossível de explicar, o castanho caramelizado profundo, infinito e doce.
Sentados, ali, naquele mesmo e eterno pôr-do-sol, naquele para sempre inalcançável fim de dia, vivemos… vivemos e assistimos a vida, várias delas, aquelas que aconteciam, iam acontecendo e estavam por acontecer, assim como a nossa.
De mãos dadas e entrelaçadas sentimos o calor…
Aquele resto de sol que nos aquecia mutuamente com os nossos corpos que se desejavam. A proximidade que parecia transformar em chama tudo o que sentia, tudo aquilo que não conseguia dizer, todo o sentimento, o pudor e o prazer dos corpos que sem dúvida alguma se desejavam.
Os tons celestiais alaranjados conjugados com o amarelo que por fim raiava, enalteciam o seu lado mais pulcro, mesmo que dissesses que não… e eu admirava, como quem admira um quadro sem se cansar.
Momentos inesquecíveis que passei… tardes de sol que jamais esquecerei…
Um grande mundo que nos rodeava, um pequeno mundo que criamos para nós, a vida que parecia longa, os desejos realizáveis e a verdade uma grande mentira… nada mais do que queria acreditar, o que tentamos muito tempo fazer parecer ser. A felicidade comandava sem pôr em questão o que realmente era, um sol.
Hoje, sentada no mesmo lugar estás, naquele mesmo e eterno pôr-do-sol, naquele não tão inalcançável fim de dia… e vives.
Já não entrelaças as mãos para sentir o calor, simplesmente cruzas os braços como um grande abraço e choras… choras pelo calor que ainda resta dentro de ti, pelo desejo que sentes e do qual não consegues te libertar.
Os tons celestiais alaranjados conjugados com o amarelo, enaltecem o meu ser.
Assim, vivo…
Agora faço parte do grande mundo que nos rodeia, dos desejos irrealizáveis e da verdade absoluta, nada mais do que acredito…
Agora, simplesmente, faço parte das tardes de sol que jamais esquecerás… eternamente a tua espera.
Serei o brilho que os teus olhos reflectem, o castanho caramelizado profundo, infinito e doce.

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